Compartilhe esta página
com seus amigos

Prefeitura de Pelotas

Notícias

11 Ago 2017 16:55   Redator(a): Andressa Barbosa

Sociedade discute o Pacto Pelotas Pela Paz

Lançamento do conjunto de propostas do Plano marca também a instauração do Fórum Municipal de Segurança Pública

A- A A+

    Para conter a epidemia que começou há 15 anos, a Prefeitura lançou oficialmente o Pacto Pelotas Pela Paz nesta sexta-feira (11) em um seminário que mostra como a relação Violência X Paz é, na verdade, uma questão cultural. Cerca de 400 pessoas lotaram o auditório do IFSul para discutir o Plano Municipal de Segurança Pública que poderá fazer de 2017 um marco para romper a trajetória de 488% de crescimento nos homicídios entre 2002 e 2015. E o principal: agir antes que a projeção de 512% para este ano se confirme.

      A data representou a instauração do Fórum Municipal de Segurança Pública, o espaço permanente de discussão da comunidade, junto aos outros dois coordenadores do Pacto: o Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGI-M) e o Comitê Integrado de Prevenção Social à Violência (CIP).

      Devolver a cidade à população ao garantir a quebra da trajetória da violência é o maior desafio que Pelotas ingressa a partir deste 11 de agosto, quando a prefeita Paula Mascarenhas chamou a todos para se unirem na causa e reverter a elevação dos índices de homicídios, roubos, assaltos, a vitimização precoce, a vulnerabilidade juvenil e a perturbação do sossego público. “Sessenta e oito: este é o número de pessoas assassinadas em Pelotas, entre elas, muitos jovens com uma vida pela frente, crianças de cinco e sete anos. Não podemos mais nos conformar com essa situação e é em resposta a isso que lançamos o Pacto Pelotas Pela Paz”, anunciou Paula.

       O Pacto tem o apoio da Comunitas, que investiu na consultoria técnica do Instituto Cidade Segura, e conta também com um diagnóstico preciso da violência. Uma das ferramentas é uma pesquisa de vitimização do Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO) que ouviu mais de mil pessoas e apontou que 87% das vítimas de homicídio em Pelotas são jovens menores de 21 anos e de baixa escolaridade. O estudo revelou a realidade por trás das ocorrências não registradas e comprovou que o perfil das vítimas é o mesmo dos infratores.

       O diretor do Foro de Pelotas, Marcelo Malizia Cabral, ressaltou que o Pacto é a política pública mais necessária e inteligente que ele testemunhou nas últimas décadas, principalmente, por envolver a prevenção da violência. “Temos milhares de famílias doentes em Pelotas, pela dependência química, pela falta de acesso a serviços básicos de saúde, de cultura, de lazer e essas pessoas que nascem nessas famílias vão viver em um ambiente de violência por serem famílias violentas”, destacou. “Nós enquanto poder público temos que salvar essas crianças e essas famílias.”

      A Prefeitura investirá R$ 6 milhões para a qualificação de estratégias que envolvem premiações para policiais que apreenderem armas ilegais e para áreas integradas que diminuírem as taxas de violência. Um concurso público contratará mais 80 guardas municipais. “É preciso que a gente deixe de viver sob o império do medo”, frisou a prefeita.

       Os eixos Policiamento e Justiça, Prevenção Social, Fiscalização Administrativa, Tecnologia e Urbanismo se dividem em 17 estratégias que formam o Plano Municipal de Segurança Pública. O documento construído coletivamente organiza um conjunto de ações repressivas e preventivas que cercarão a violência desde sua origem, ainda na gestação precoce até a abertura de oportunidades de emprego para a comunidade prisional.

       Na prevenção, nove escolas no Dunas, Getúlio Vargas, Pestano e Bom Jesus (Território 1) começam a desenvolver este ano o Programa Cada Jovem Conta, destinado a intervir na vida de jovens identificados com fatores de risco para impedi-los de cair na marginalidade.

       A integração das instituições policiais, o desenvolvimento de programas de prevenção, tecnologia e urbanismo somam forças a um novo papel da sociedade com a criação de um Código de Convivência Democrático, regulamentado por um pacote legislativo que será encaminhado à Câmara de Vereadores.

      A mudança cultural terá reflexos positivos também na economia, pois a fiscalização do consumo de álcool e drogas ilícitas nas vias públicas incentivará a população a valorizar e procurar os comércios regularizados. “Ordem pública é podermos nos respeitar e isso se faz em nome da liberdade”, argumentou Paula.

      Pelotas atende ao chamado da Paz

      Brigada Militar, Polícia Civil, Instituto Geral de Perícias (IGP), Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Bombeiros, Exército, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Judiciário, Legislativo, instituições de ensino e religiosas, empresariado e a sociedade civil compõem o movimento pela implantação do Plano de Segurança Pública.

      Após a apresentação do Pacto pela manhã, grupos de trabalho debateram eixos da proposta e contribuíram para a conclusão do documento. Estiveram presentes o vice-prefeito Idemar Barz, secretariado e servidores municipais, o presidente do Legislativo, Luiz Henrique Viana (PSDB), vereadores, juízes, promotores, membros das forças de segurança atuantes na cidade, lideranças empresariais, acadêmicas e a população em geral.

       Confira os dados da Pesquisa de Vitimização

27,9% da população evita sair à noite

26% se consideram afetados pela perturbação do sossego, o que equivale a 70 mil pessoas

63% observaram adolescentes consumindo bebidas alcoólicas

67% testemunharam consumo de drogas ilegais

8,7% foram vítimas de algum tipo de discriminação, o que significa mais de 20 mil pessoas

8,2 % foram vítimas de ameaças graves no que corresponde a 21 mil pessoas ameaçadas de morte ou de agressão em um ano

3,8% foram agredidos fisicamente, ou seja, mais de 9 mil pessoas

30,9% considera o mau exemplo dado pelos governantes e políticos a maior causa da criminalidade

18,7% aponta a impunidade ou penas muito leves como o segundo problema mais sério

13,8% afirma que a superlotação dos presídios que funcionam como escolas do crime é a terceira causa

12,1% atribui à miséria a quarta causa preponderante para o desenvolvimento da violência

Boletim de Notícias

Cadastre seu e-mail e receba diariamente o boletim de notícias da Assessoria de Comunicação

Prefeitura Municipal de Pelotas - Praça Cel. Pedro Osório, nº 101, Centro - Tel.: (53) 3309-6000
©2017 Desenvolvido pela Coinpel