Ciclo da Água

 

Quantitativamente a água representa o constituinte inorgânico mais abundante na matéria viva. O homem possui 63% do seu peso constituído de água e alguns animais aquáticos chegam a ser formados de 98% desse composto.

Dessa forma a biomassa presente a superfície dos continentes é sensivelmente proporcional ao volume das precipitaçoes pluviométricas. Embora as maiores reservas de água, no globo terrestre, sejam as que fazem parte da própria constituição mineral do planeta, somente uma pequena parcela destas - as constituintes da litosfera superficial - é que circulam através do chamado ciclo hidrológico, juntamente com as águas oceânicas, as das calotas polares, rios, vapor atmosférico e outras reservas superficiais.

Se todo o vapor atmosférico fosse condensado e distribuído uniformemente sobre a superfície terrestre formaria uma camada de apenas 3 cm de espessura cobrindo o globo terrestre. Apesar de ser muito pequena esta quantidade, é sobre ela que está fundamentada toda a circulação da água e o seu ciclo biogeoquímico.

Com efeito essa umidade atmosférica provém da evaporação da água das camadas líquidas superficiais, por efeito da ação térmica das radiaçoes solares. O resfriamento desses vapores condensados na forma de nuvens, leva a precipitação pluvial, sobre a superfície do solo e dos oceanos, nas proporçoes respectivamente de 2/9 e 7/9.

A parcela de água precipitada sobre a superfície sólida, pode seguir tres vias distintas: a infiltração, a evapotranspiração e o escoamento superficial.

Ciclo da água

É através da infiltração que se realiza o recarregamento das reservas freáticas e a re-hidratação dos solos, ou seja, dos depósitos de água disponíveis para a vegetação terrestre e para as atividades biológicas que se desenvolvem nas camadas superficiais dos continentes. Daí o seu papel fundamental com relação a manutenção dos ecossistemas terrestres.

Essa água acumulada por infiltração é restituída a atmosfera por meio de evapotranspiração. A vegetação exerce por sua vez função importante com relação a essa devolução, acelerando muito os processos de simples evaporação. A transpiração dos vegetais realizada com a finalidade básica de garantir um fluxo ascendente, mais ou menos contínuo, de seiva rica em nutrientes minerais ao longo de seus caules e ramos, é realizada essencialmente pelo processo de evaporação através das folhas, o qual é regulado pela umidade relativa do ar e outros fatores. Ora, considerando-se a enorme proporção que representa a somatória das superfícies das folhas em relação a superfície do solo correspondente, é fácil avaliar-se o papel multiplicador ou acelerador desempenhado pela vegetação em relação a transferencia de umidade do solo para a atmosfera.

Além disso o sistema radicular de árvores e arbustos, podendo atingir profundidades de dezenas de metros, constitui-se um mecanismo de alta eficiencia em relação a esse transporte, permitindo a movimentação rápida de enormes volumes de água. Daí a importância fundamental da cobertura vegetal, com relação a manutenção da umidade atmosférica, regularidade das precipitaçoes pluviométricas e outros fatores ecometereológicos.

Finalmente, o escoamento superficial é responsável pela formação dos córregos, rios e lagos. A maior ou menor proporção do escoamento superficial em relação a infiltração é influenciada fortemente pela presença ou ausencia de cobertura vegetal, uma vez que esta constitui barreira ao rolamento livre, além de tornar o solo mais poroso. Esse papel da vegetação, associado a função amortecedora, é de grande importância na prevenção da erosão provocados pela ação mecânica da água sobre o solo.