Carnaval 2026 superou todas as expectativas, avalia Marroni
Prefeito reforça que maior acerto foi realizar a festa na data oficial do País, o que não ocorria há 13 anos no município
O Carnaval 2026 superou todas as expectativas. A avaliação é do prefeito Fernando Marroni, cuja gestão assumiu o protagonismo na realização do evento, com apoio da Associação das Entidades Carnavalescas de Pelotas (Assecap) e da Liga dos Blocos e Cordões Carnavalescos de Pelotas. Os números levantados e o retorno positivo de foliões e carnavalescos devem manter no município a promoção da festa na data oficial do País nos próximos dois anos. Não está descartada a ampliação da estrutura e da capacidade de público, bem como a manutenção da passarela do samba na região do Porto.
“Carnaval é uma potência cultural, responsável por desenvolver toda uma cadeia de produção criativa, que inclui comércio popular, artistas, artesãos e profissionais de toda ordem, bem como impactar positivamente a economia em diversos setores”, disse o prefeito. E foi além: “Carnaval combina política cultural e turismo - por isso continuará recebendo da nossa administração a importância que merece.”
O prefeito Fernando Marroni, a vice Daniela Brizolara (à esquerda), a secretária de Cultura (à direita da imagem) e o secretário de Turismo, Danilo Rodrigues (abaixo, à esquerda), na foto com a direção e passistas da General Telles (Fotos: Tobias Bernardo/Secom)
A realização do evento no calendário oficial, em pleno verão, conta com o apoio dos carnavalescos. Não por acaso, os presidentes das duas bandas que dividiram o título de campeãs da categoria neste ano, Dona da Noite e Kibandaço, foram generosos em elogios à decisão da Prefeitura de não negociar outra janela no calendário para a realização da festa.
“Vendemos todos os abadás, chegamos a ser cobrados por não termos feito mais, a procura foi muito superior, tenho certeza que ano que vem vai estar melhor, Pelotas tem muito mais de 300 mil habitantes, não serão mil que vão para Jaguarão e outros mil para São Lourenço que vão comprometer nosso Carnaval, somos uma cidade carnavalesca e temos que valorizar o que é nosso”, disse Paulo Roberto Moraes, presidente da Dona da Noite. O mandatário da Kibandaço, Ezequiel Cardoso, ainda na passarela, na madrugada de terça-feira (17), agradeceu a Prefeitura pela realização do Carnaval: “Deu certo, a gente precisava do poder público ajudando, porque passamos dificuldades o ano inteiro para botar o povão na passarela, a gente precisa estar unido e reforçar essa parceria.”
A depender da vice-prefeita Daniela Brizolara, a continuidade da parceria defendida pelo presidente da Kibandaço será mantida - não apenas com as entidades, blocos e cordões carnavalescos, mas internamente, no âmbito da administração. Para Daniela, o sucesso do Carnaval pelotense em 2026 tem digitais de um trabalho coletivo, responsável e comprometido.
“Nada disso se concretizaria sem a atuação integrada entre as secretarias, o diálogo constante e a dedicação técnica de cada equipe envolvida que garantir as condições necessárias, respeitar a legalidade e conciliar os diferentes interesses da comunidade exigiu compromisso e responsabilidade, e é esse caminho que estamos construindo juntos.”
Os foliões do bloco burlesco Candinhas da Cerquinha desfilam na noite das campeãs, na programação de encerramento do Carnaval 2026 em Pelotas. Município voltou a fazer o evento na data oficial do país após 13 anos
Números
Apenas na passarela do samba e entorno, o número estimado de foliões nas quatro noites chegou a quase 50 mil pessoas, conforme estimativa da Guarda Municipal (GM). A primeira noite, reservada aos blocos burlescos, e a terceira, no desfile das bandas carnavalescas, foram as que reuniram maior público - 15 mil cada.
No carnaval de rua, no qual desfilam blocos e cordões, os números também foram expressivos. Dados da Liga que reúne as entidades apontam que dezenas de milhares de foliões participaram dos desfiles realizados no fim de semana anterior ao carnaval (sábado e domingo, dias 7 e 8 deste mês) e durante os dias do evento, de sexta-feira (13) a terça (17). A programação dos blocos e cordões segue durante todo o ano.
“São 61 blocos, cada um movimenta minimercados, gráficas, serviços de alimentação, só em volume de bebidas as copas dos blocos giraram mais de R$ 100 mil, além de empresas que prestam serviço de som e luz, banheiros químicos, segurança - Carnaval também é economia”, defende a presidente da Liga dos Blocos e Cordões Carnavalescos, Kitanji Goulart.
A presidente da Associação das Entidades Carnavalescas de Pelotas (Assecap), Vanessa Veleda, estima que somente as três escolas do grupo especial, General Telles, Unidos do Fragata e Academia do Samba, injetaram na economia local nos últimos meses em torno de R$ 400 mil. Apenas a campeã Telles gerou em torno de 60 postos de trabalho - fora o comércio ambulante no entorno da quadra durante os dias de ensaio, com a comercialização de alimentos e bebidas.
Além de profissionais contratados para atuar diretamente nas escolas, como carnavalescos, diretores de bateria, de harmonia, músicos, entre outros, as entidades movimentam lojas de tecidos, de aviamentos, de instrumentos musicais, precisam recorrer a insumos como tintas, pedraria, plumagens e materiais em ferro. E ainda recorrer a serviços de bordadeiras, costureiras, serralheiros e carpinteiros - afora contratação de empresas de som, luz e segurança. Não é pouco. “Seguramente, mais de 60% de todo esse investimento fica em Pelotas”, afirma Marcos Corrêa, o Marcão, presidente da General Telles.
A conta não termina aqui. A presidente da Assecap acrescenta ainda os investimentos das escolas mirins, bandas carnavalescas e blocos burlescos. Somadas, essas entidades precisaram aportar mais de R$ 400 mil para se apresentarem no Carnaval 2026, gerando renda e empregos na cidade em um período em que a atividade econômica é mais aquecida no litoral e em destinos turísticos.
Ampliação da passarela
O sucesso de público deve ampliar a passarela do samba para o Carnaval do ano que vem. O objetivo da Prefeitura é aprofundar o perfil popular da festa. O ingresso solidário, que garantiu a doação de um quilo de alimento não perecível para até quatro pessoas por noite no acesso à arquibancada foi uma proposta considerada bem-sucedida. A iniciativa reverteu para a Prefeitura a aquisição de sete toneladas de alimentos - a serem administrados pelas secretarias de Assistência Social e Defesa Civil. O aumento da oferta de camarotes e mesas é dado como necessário. A fila para aquisição desses espaços começou a se formar no Largo do Mercado Central 48 horas antes da abertura das vendas, no dia 6 deste mês. É muita gente querendo acompanhar outra multidão - a que desfila na passarela do samba.
Entre as 24 entidades que desfilaram, 18 em concursos e outras seis como participantes, mais de 20 mil foliões participaram das apresentações nas quatro noites de programação. Só nas bandas carnavalescas a projeção foi de mais de nove mil componentes divididos entre as seis entidades que concorreram ao título da categoria.
Audiência
Toda a preparação da Prefeitura para a organização do Carnaval 2026 resultou em resposta de público, tanto in loco como no universo virtual. As redes sociais da Prefeitura registraram um salto de 1000%, com sete milhões de visualizações e 77,5 mil interações na cobertura realizada entre sábado e terça-feira.
As transmissões ao vivo dos desfiles tiveram 224,4 mil visualizações no YouTube e na rede social Facebook da TVC e HD Vídeo, que realizaram a transmissão em tempo real. Ao todo, 125 profissionais se habilitaram para fazer a cobertura.