Ciclovia:Prefeitura aguarda resposta do não repasse de verbas
A Prefeitura aguarda a comunicação oficial do Ministério das Cidades, justificando a exclusão de Pelotas do rol de municípios contemplados com liberação de verbas federais que viabilizam a implantação de projetos de mobilidade urbana, para tomar providências junto ao Governo Federal ou buscar novos investidores. A implantação de ciclovias na cidade e do Plano Diretor Viário é reivindicação notória e antiga da comunidade e compromisso da gestão Bernardo de Souza, mas sua execução depende exclusivamente, como na grande maioria das localidades do Estado, de recursos externos. O resultado da avaliação dos projetos elaborados pelas Secretarias de Urbanismo (SMU) e Transportes e Trânsito (STT), e entregues pessoalmente em Brasília, no mês de abril, pelo prefeito Bernardo de Souza e pela titular da SMU, Eulália Anselmo, foi conhecido na última terça-feira, 5, quando a secretária acessou o site do Ministério das Cidades. Não houve até hoje (11) resposta formal, como cobra a Prefeitura, já que cumpriu os trâmites burocráticos. Pelotas credenciou aqueles projetos com todos os prazos e exigências respeitados, como asseguram os titulares da SMU e da STT, solicitando ao Governo Federal R$ 2,7 milhões para as ciclovias e R$ 300 mil para o Plano Viário. “Para nossa total surpresa e perplexidade, apesar de ter sido pré-habilitada, a cidade não está entre os pequenos municípios da metade sul e a zona metropolitana do Rio Grande do Sul beneficiados pelo Governo Federal”, reiterou, indignada, Eulália. “Estamos pasmos, fomos descartados”, desabafou o secretário de Transportes e Trânsito, Jacques Reydams. A não contemplação total da verba solicitada era considerada pelo governo municipal, mas a retirada mesmo do Plano Viário – pedido considerado baixo, segundo Reydams – choca a administração. Os planos da Prefeitura, registrados no Ministério das Cidades, eram de implantar, numa primeira fase, 42 quilômetros de ciclovias que atenderiam eixos mais utilizados pelos ciclistas, principalmente trabalhadores que usam este veículo como meio de transporte diário em Pelotas. O projeto, destaca Eulália, tem por princípio a política de uma cidade sustentável, onde o transporte lento é o que oferece mais qualidade de vida. Seguindo modelo europeu, nesta nova proposta o pedestre tem prioridade, seguido pelo ciclista, e depois então o transporte coletivo e carro particular. Topografia favorável (a cidade é plana) e dissertação de mestrado da UFPel sobre o uso de bicicletas no município também reforçam a tese do projeto. Dados indicam que 17% por cento da população masculina da cidade utilizam a bicicleta. Reydams acrescenta outro dado relevante: os pelotenses estão utilizando menos o transporte coletivo. No primeiro semestre de 2001, pouco mais de 2,889 milhões de pessoas por mês usavam o ônibus para ir ao trabalho. Neste ano, a média é de 2,480 milhões por mês, segundo a STT. “Ou esses trabalhadores estão indo a pé ou de bicicleta”, avalia o secretário. O programa de incentivo à mobilidade urbana do Governo Federal, denominado “Bicicleta Brasil”, beneficiou os municípios de Santa Vitória do Palmar, São Lourenço do Sul, Santa Maria, São Leopoldo, Gravataí, Esteio, Cachoeirinha e Porto Alegre. “Não vamos levar a discussão para o campo político, é preciso respeitar o Ministério. Sem esses recursos fica praticamente impossível aplicar o projeto, mas não desistiremos”, pontua a secretária de Urbanismo, lembrando que a Câmara de Vereadores também enviou manifestação ao Ministério das Cidades favorável ao projeto das ciclovias e o Plano Viário de Pelotas elaborados pela Prefeitura. “