Com os R$ 20 mil repassados pelo edital, Aldeia Mbyá-Guarani Kapi’i Ovy (Capim Verde) vai construir uma Casa para Artesanato e outra de Reza. É a primeira vez que uma comunidade indígena pelotense é contemplada.

Comunidade indígena do Rincão da Cruz compra materiais com recursos da Pnab

Com os R$ 20 mil repassados pelo edital, Aldeia Mbyá-Guarani Kapi’i Ovy (Capim Verde) vai construir uma Casa para Artesanato e outra de Reza. É a primeira vez que uma comunidade indígena pelotense é contemplada.
Por Joice Lima 29-08-2025 | 16:30:43
Tags: guaranis , indígenas , pnab , edital , artesanato

Nesta semana, o clima é de otimismo e expectativa na Aldeia Mbyá-Guarani Kapi’i Ovy (Capim Verde), localizada na Colônia Santa Helena, Rincão da Cruz – 8º Distrito de Pelotas. Desde segunda-feira (25), a comunidade indígena está recebendo materiais para a construção de dois importantes espaços: a Casa de Reza e a Casa para Artesanato. A compra dos materiais e instrumentos que também serão utilizados na agricultura, na criação de pequenos animais e na confecção de artesanato foi viabilizada pelo repasse de R$ 20 mil do Ministério da Cultura (MinC), por meio do edital da Política Nacional de Aldir Blanc (Pnab). É a primeira vez que uma comunidade indígena de Pelotas é contemplada em um edital da Pnab.

“A compra desses materiais possibilitará a qualificação dos espaços da aldeia, inclusive para o recebimento de visitantes, e a prática da agricultura, do artesanato e a continuidade da sua própria existência indígena (língua, religiosidade e o seu modo de viver), enfim, da sua cultura”, pondera Robson Becker Loeck, sociólogo do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Pelotas, que ajudou a elaborar o projeto conforme as necessidades da aldeia e as exigências do edital. “A Emater/RS-Ascar participou de uma oficina realizada na Secult, que foi muito importante para entender as etapas e a melhor forma para elaborar o projeto Aldeia Kapi’i Ovy.”

Com a verba repassada pela Pnab, a comunidade, formada por 12 indígenas (quatro famílias), pôde adquirir tábuas de madeira e costaneiras de eucalipto para construir os dois espaços e telhas de fibrocimento para a Casa de Artesanato – a cobertura da Casa de Reza será de recursos naturais. Os próprios indígenas farão as construções.

Fotos: Divulgação/Emater-RS-Ascar

A Casa de Reza é um espaço de convívio social, fortalecimento espiritual, de cura e de benção de sementes antes do cultivo. A Casa para Artesanato, pensada conforme o desejo dos indígenas, será um local para a produção, a guarda e a mostra dos artesanatos aos visitantes. O artesanato é muito importante, cultural e economicamente, para os indígenas Guarani. As principais peças produzidas são as cestarias e animais em madeira, seguidas de colares, pulseiras, maracás (chocalhos), arcos e flechas e filtros dos sonhos.

Oficina Pnab na zona rural

No dia 27 de março, o Setor de Projetos da Secult ministrou uma Oficina de Apresentação dos Editais da Pnab e Tira-dúvidas na Aldeia Gyró, na Colônia Santa Eulália – Rincão da Cruz, 8º distrito de Pelotas. O encontro fez parte de uma cronograma executado nos meses de março e abril, que contemplou todas as macrorregiões do município e a zona rural para esclarecer dúvidas e facilitar inscrições de projetos nos três editais. O MinC disponibilizou mais de R$ 2 milhões para 59 projetos e espaços culturais e pontos de cultura de Pelotas. 

Existem duas comunidades indígenas no município: a Kaingang (aldeia Gyró, que fica na Colônia Santa Eulália – Distrito Cascata) e a Guarani. Embora a presença indígena na região seja anterior a 1500, as famílias Guarani que hoje estão na aldeia chegaram a Pelotas em 2014. A vinda foi motivada pelo fato das famílias indígenas Guarani que estavam na localidade terem se deslocado, nesse mesmo ano, para um território indígena, instituído pelo governo federal, no município de Canguçu.

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