Projeto “Uma Noite no Museu” incluiu uma programação específica para a educação de jovens e adultos

Educação patrimonial é ofertada a turmas da EJA na rede municipal de ensino

Projeto “Uma Noite no Museu” incluiu uma programação específica para a educação de jovens e adultos

Por Isabella Barcellos 17-06-2026 | 15:57:55
Tags: EJA , Patrimonial

Os estudantes da turma da Educação para Jovens e Adultos (EJA) na rede municipal de ensino têm a oportunidade ampliar o aprendizado para além da sala de aula. Um dos exemplos é o projeto “Uma Noite no Museu”, desenvolvido por meio da parceria entre o Museu do Doce, a Secretaria Municipal de Educação (SME) de Pelotas e a disciplina de Educação Patrimonial do curso de Licenciatura em História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), coordenado pela professora Ana Inez Klein. 

Em junho, as turmas das EMEFs Nossa Senhora de Lourdes, Ferreira Viana e Joaquim Assumpção visitaram o Casarão 8, sede do Museu do Doce, na Praça Coronel Pedro Osório. Além de conhecer o aspecto da cultura doceira da cidade, os participantes tiveram contato com conteúdos relacionados à história do local e ao patrimônio cultural.

Segundo Ana Inez, a iniciativa surgiu a partir da necessidade de ampliar o acesso desse público a atividades culturais e educativas. "É uma questão de consciência social, porque a EJA atende um grupo que recebe poucos projetos da universidade, já que frequenta a escola no turno da noite. Ao mesmo tempo muitos estudantes da disciplina também só têm esse horário disponível. Então buscamos aproximar essas realidades”, explicou. 

O trabalho começa em sala de aula, quando acadêmicos do curso de licenciatura em história apresentam o projeto para as turmas e os convidam para conhecer melhor o espaço do Museu do Doce. A partir disso, acontecem as visitas guiadas ministradas pelos próprios estudantes da disciplina de Educação Patrimonial. Por fim, os estudantes voltam à sala de aula e avaliam a experiência junto às turmas. Até o momento, a iniciativa acontece exclusivamente na rede municipal de ensino. 

Dados da SME mostram que a EJA tem recebido um público cada vez mais jovem. Atualmente, 66,3% dos estudantes têm entre 15 e 21 anos. Outros 6,6% têm entre 22 e 30 anos, enquanto 7,2% têm entre 31 e 40 anos. Ao todo, a modalidade atende 1381 estudantes do município. 

Para a coordenadora da EJA da EMEF Nossa Senhora de Lourdes, Joseane Monks, a experiência favorece a troca de conhecimentos entre diferentes gerações. 

Eles vão complementando uma ideia do outro. As mulheres se identificaram com elementos relacionados ao trabalho, enquanto os mais jovens reconhecem histórias que ouviam de suas mães e avós, relatou. 

A assessora pedagógica da EJA na SME, Taís Louzada, destacou que as atividades também representam uma forma de democratizar o acesso à cultura. “A maioria de nossos educandos trabalha durante o dia para garantir o sustento de suas famílias. Por isso é fundamental que a escola noturna vá além do ensino formal e possibilite o acesso à cultura e à história da nossa cidade”, afirmou.

Imagens - divulgação
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