Engenheiro fala sobre contenção do manganês nos mananciais
Como forma de esclarecer a comunidade e a imprensa sobre os processos utilizados para tentar eliminar a água turva, bem como a origem do problema, o Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) promoveu hoje (04) pela manhã, entrevista coletiva com o engenheiro químico José Luiz Diniz Barradas.
Por aproximadamente duas horas, o engenheiro e professor pós-graduado em Saneamento Ambiental pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul detalhou as causas da ocorrência do manganês na barragem Santa Bárbara, apontando e explicando fatores como mudanças climáticas e ações humanas.
Citando problemas similares ocorridos em municípios como Porto Alegre, Curitiba e Araraquara, Barradas avaliou a situação como uma anomalia, porém reafirmou que não há potencialmente nenhum fator de risco ao consumidor. “Evidentemente não é uma situação normal, entretanto é mais uma questão de aparência estética da coloração da água que acaba causando todo um temor desnecessário”, uma vez que segundo a legislação brasileira o manganês não está incluído como substancia química que apresente risco à saúde. O maior inconveniente fica mesmo relacionado ao aspecto oriundo da coloração do líquido.
No caso de Pelotas, o engenheiro que prestou diversas consultorias ao Sanep acerca da situação, destacou que a procedência do surgimento de manganês na região também está associada a fatores climáticos e biológicos como a não renovação da água da barragem que favorece a floração de algas orgânicas, cujo processo de decomposição estimula o surgimento do manganês. A questão relacionada a efluentes industriais ou residenciais que possam estar chegando aos cursos afluentes dos canais da Barragem também foi apontada como possível causa da aparição do metal.
Barradas ressaltou ainda que este não é um problema exclusivo de Pelotas e que o Sanep tem seguido à risca todos os passos no processo de eliminação do manganês na barragem do Santa Bárbara. Segundo o engenheiro, tanto as ações imediatas de retenção do manganês na água bruta do manancial, como a limpeza geral dos reservatórios e redes de distribuição e tubulações - consideradas medidas corretas - foram adotadas pela autarquia.
Conforme o diretor-presidente do Sanep, Ubiratan Anselmo, além da intensificação dos trabalhos no sentido de conter a ocorrência do manganês, nos últimos dias, a manutenção de redes tem sido praxe já há algum tempo. “Colocamos em prática todas as sugestões que foram comprovadas tecnicamente. Portanto, estamos trabalhando para eliminar integralmente o problema, inclusive em estudos para a implantação de uma nova lagoa de estabilização conforme determinou o prefeito Fetter Júnior” reiterou.
Ações do Sanep
Assim que detectou a coloração escura da água oriunda da Barragem Santa Bárbara provocada pela estiagem e proliferação de algas, a partir de orientação de técnicos da Sabesp, o Sanep aplicou o produto permanganato de potássio normalizando a situação nos pontos de captação da água bruta. Desde então os trabalhos se concentraram na realização de descargas programadas nas redes de distribuição afetadas, aspirando o lodo do manancial. De acordo com o Ubiratan Anselmo somente 10% da rede afetada apresenta ainda algum tipo de problema, mas com os trabalhos de limpeza, dos próximos dias a situação estará totalmente normalizada.