Especialista em patrimônio faz visita guiada no Cemitério

Por Divulgação 12-02-2007 | 00:00:00
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Situar o cemitério na linha histórico-temporal, desde o seu surgimento, apresentar o atual estado de conservação, diagnosticar problemas, destacar as principais obras artísticas do conjunto funerário, bem como as marmorarias e artistas responsáveis pelas mesmas, são algumas das propostas que serão apresentadas durante a visita guiada ao Cemitério da Santa Casa de Pelotas. A vista será realizada nesta terça-feira (13), às 16h, sob coordenação da fotógrafa e especialista em Patrimônio Cultural Luiza Carvalho.

Os interessados em participar da visita devem entrar em contato com a diretoria de Artes Visuais da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), pelo telefone 3225 8355. Os participantes se reunirão em frente ao portão central do Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, na avenida Duque de Caxias.

A proposta de Luiza é chamar a atenção ao local como forma de patrimônio histórico, cultural e artístico da cidade, visando à conscientização da população e a de possíveis parceiros na conservação deste bem público. Ela ressalta que a intenção é elaborar um projeto de preservação e salva guarda do que ainda se tem em obras no cemitério.

A visitação faz parte o trabalho desenvolvido por meio de levantamento histórico e registros fotográficos, que originaram a mostra Pelotas Necrópole, aberta à visitação até o dia 15 deste mês, na sala Frederico Trebbi, localizada no prédio do Grande Hotel.

O Cemitério da Santa Casa é o principal conjunto arquitetônico funerário da cidade de Pelotas. Fundado na segunda metade do século XIX, possibilitou que famílias importantes da sociedade pelotense enfatizassem valores através do diferencial de seus túmulos. Em meados do século XIX e XX, Pelotas possuiu marmorarias de atuação significante na região sul do estado, que traziam obras funerárias importadas da Europa e eram responsáveis pela colocação dos túmulos.

A Arte Funerária possui tipologias próprias, e hoje é resultado de uma época distante. Atualmente, os túmulos possuem design simplificado e padronizado, o que exclui a possibilidade de integração de novas obras escultóricas funerárias, atestando o valor das peças que resistem as gerações.

O acervo de esculturas funerárias de Pelotas se encontra esquecido, descaracterizado e passível de desaparecimento. O Campo Santo da Santa Casa significa um verdadeiro patrimônio histórico, cultural e artístico, guardião de memórias coletivas e particulares. O espaço requer a atenção e a divulgação de uma política educacional e de segurança, que evite a constante dilapidação de seus bens pela mão humana. Essa interferência, que desloca peças de seus locais originais, para espaços inusitados diminui cada vez mais o acervo: são adornos e esculturas mutilados, desaparecidos e pichados, de autoria por vezes reconhecida, mas não apurada. A beleza da Arte Funerária de Pelotas reside em obras que ainda se encontram íntegras em meio às ruínas históricas da última morada daqueles que desenvolveram Pelotas.

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