Hospitais de Pelotas contam com doutores besteirologistas
ONG, que busca levar alegria a adultos e crianças internadas, faz seleção para novos integrantes
Autodenominados doutores besteirologistas, 105 voluntários do Esquadrão da Alegria oferecem momentos de leveza a pacientes internados nos hospitais do Rio Grande do Sul. Em Pelotas, 23 palhaços se revezam em visitas a quatro hospitais – Universitário São Francisco de Paula (HU), Escola (HE) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Espírita (HEP) e Santa Casa, e o grupo deve crescer no próximo mês.
Fotos: Divulgação
A organização não-governamental (ONG) está recebendo inscrições de pessoas interessadas em participar da seleção que começa no dia 18 de março. O trabalho é criterioso e não se resume à roupa colorida e maquiagem, são meses de preparação, orientação sobre como se comportar em diferentes situações, e com muitas horas de estágio, inicialmente apenas observando os mais experientes trabalharem, depois participando com um colega mais antigo, para só depois estrearem como “besteirologistas” nas instituições de saúde.
É comum chegarmos a um quarto e as pessoas estarem mais tensas, caladas, e enquanto estamos ali, elas vão relaxando. Essa energia não se dissipa quando saímos. Muitas vezes fazemos outras visitas e quando passamos pelos quartos anteriores, indo embora, vemos que eles seguem conversando e rindo, diz a assistente social Andréa Heidrich, criadora da Dra Sara Cura.
Cada hospital recebe visitas de acordo com a capacidade do grupo e necessidade da instituição, o que é combinado antecipadamente. Existe um cronograma mínimo de visitas, o que pode ser ampliado sempre que houver disponibilidade dos voluntários: O HU recebe duas visitas por semana; o HE, e a Santa Casa, uma por semana, cada; e o HEP, duas por mês. O grupo também é parceiro da Prefeitura em outras ações de saúde, como campanhas de vacinação e de doação de sangue.
O Esquadrão da Alegria é uma organização gaúcha e sem fins lucrativos que atua no Rio Grande do Sul desde 2008, e chegou a Pelotas em 2024. A coordenadora municipal do grupo, Carina Soares Noda, criadora da doutora Natureba, diz que cada um dos 105 voluntários do Estado, sendo 25 em Pelotas, oferece “a sua personalidade, a sua essência, contribuindo com aquilo que tem de melhor por dentro”. Dos voluntários locais, duas são psicólogas que atuam na formação dos “doutores”, os demais são palhaços. Em todo o RS, são 90 “doutores”, e 15 profissionais de outras áreas – psicólogas, advogados, contador, profissionais da Tecnologia da Informação, e comunicadores.
Nosso objetivo é transformar o clima do hospital, levar leveza, alegria, um sorriso, uma escuta, uma presença, a esperança. Nós batemos na porta, abrimos uma frestinha, enfiamos o nariz vermelho com um sorrisinho, e perguntamos se podemos entrar.
Carina diz que os pacientes e acompanhantes ficam impactados com a cena e, independente de mostrarem-se sérios (mas curiosos) ou rirem, costumam autorizar a entrada. Os palhaços, digo, doutores, precisam estar preparados para tudo, podem receber sorrisos e risadas, ou choro e desabafo. Para isso, além da preparação inicial de cada grupo que entra para o time, a capacitação é permanente: só em 2025, foram mais de mil “plantões besteirológicos”, 150 horas de treinamento, e 54 mil pessoas impactadas pelo trabalho da ONG em todo o Rio Grande do Sul.
“Tudo faz parte do que esperamos. O improviso é a vida acontecendo, é darmos espaço para chegar o que for, porém de nós só sairá amor e esperança. Transformamos o ambiente tratando qualquer conversa com leveza, direcionando o olhar para a beleza da vida. Em cada encontro, buscamos entregar o que temos de melhor, o que vem do coração. O resultado é sentido: nossos ‘pacientes’, crianças de zero a 120 anos, se entregam ao momento e esquecem por instantes que estão hospitalizados, e assim redescobrem a alegria”, afirma Carina.
Seleção de novos integrantes
Para entrar para o grupo, é necessário participar de uma seleção, que está em fase de inscrições pelo formulário até o dia 15 de março. A seleção é feita por meio de diversas dinâmicas com oficineiros e psicólogos, e não são necessárias experiências em teatro ou na área da saúde. Os candidatos já têm três encontros marcados, um virtual, dia 18/03 (quarta-feira) à noite, e dois presenciais – 21/3 (sábado) e 29/3 (domingo), pela manhã e tarde. Os aprovados, ao passarem a integrar o grupo, comprometem-se a fazer, pelo menos, duas visitas hospitalares mensais, e participar de uma reunião de alinhamento e uma oficina de treinamento por mês.
Eu costumo dizer que ninguém chega na ONG por acaso. Todos nós temos um palhaço morando lá dentro de nós”, avalia Carina, que acredita que existe uma voz interna que chama os voluntários, “é algo que nos atravessa e nós somente damos passagem, um estado de servir ao próximo, de se doar em forma de amor que é algo muito especial.
Parcerias
O trabalho é totalmente voluntário, ninguém paga ou recebe pelas ações, por isso, além das visitas a hospitais e outras ações ligadas à saúde, o grupo costuma retribuir a cedência de espaços para suas atividades e patrocínios, com oficinas para os funcionários, palestras ou interação dos palhaços em festas de empresas. Os recursos arrecadados são utilizados com jalecos e itens usados em visitas, e na contratação de oficineiros externos para a formação continuada dos palhaços.
Esquadrão da Alegria
Quer conhecer mais sobre o Esquadrão da Alegria? Visite o site da ONG, o Instagram, ou o Facebook. No site, também é possível encontrar formas de contribuir financeiramente com o grupo, como pessoa física ou empresas.