Patrimônio Tombado de Pelotas em concurso nacional

Por Divulgação 26-10-2007 | 00:00:00
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Se premiado, projeto que sensibiliza e estimula o turismo local movimentará seis diferentes eixos culturais, durante meio ano

O registro fotográfico retratando uma nova leitura das relações entre a população e cinco expressões culturais tombadas na cidade para ser transformado em outdoor. A idéia embasa o projeto multicultural Patrimônio, Arte e Turismo: Diálogos e Formação de Público a partir dos Bens Tombados pelo Iphan em Pelotas, realização conjunta das secretarias de Turismo, Esportes e Lazer, e de Cultura (STE/Secult) e Universidade Federal (UFPel). A iniciativa está inscrita no concurso Edital Arte e Patrimônio do Ministério da Cultura, Iphan e Centro cultural Paço Imperial. A decisão ainda não tem data definida, mas deve sair no início de novembro, porque o cronograma de execução está previsto para acontecer de novembro a abril.

O projeto, que prevê duração de seis meses – novembro a abril/2008 – concorre na categoria Acontecimentos/Inter-relações e se figurar entre os dez premiados será contemplado com um prêmio de R$ 100 mil oferecido pelo Ministério da Cultura (Minc). Recurso que será destinado à realização um novo concurso, desta vez em Pelotas, para a execução da segunda etapa da proposta: a escolha de cinco fotografias que expressem a interação da população com algum dos patrimônios culturais tombados, e em processo para tal, que identificarão o turismo histórico-patrimonial, nos principais acessos ao município, por meio de outdoors.

Tudo vai começar com o concurso público Focando o Patrimônio de Pelotas que selecionará cinco fotografias dos bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan): Obelisco Republicano, Theatro Sete de Abril, Casas 2, 6 e 8 da Praça Coronel Pedro Osório, Caixa D’Água e Doce Tradicional de Pelotas. As imagens, necessariamente deverão conter abordagens que remetam à interação de uma pessoa com o bem em questão e primar pelo aspecto inédito. Todas as fotografias inscritas serão utilizadas: as não-selecionadas para os outdoors serão empregadas em banners.

Centrado no objetivo de aliar as artes à reinterpretação do patrimônio local por parte dos pelotenses, a diretora de turismo de Pelotas e coordenadora do projeto, Fernanda Costa da Silva, explica que a idéia busca essencialmente despertar o interesse para o turismo a partir do envolvimento da comunidade com os bens. “O ponto-chave da proposta consiste em trabalhar com os moradores de Pelotas e atuar na sensibilização”, diz Fernanda, completando “queremos elevar a auto-estima da população e estimular o reconhecimento da importância do papel que desempenham junto ao nosso patrimônio”.

A exemplo do nome, extenso também é a abrangência cultural do projeto que não se limita apenas ao registro de imagens, mas proporcionará ainda intervenções artísticas de teatro e cinema, debates, publicações e exposição artística, ao longo de seis meses.

Otimista com a relação à aprovação do projeto, a professora de artes e design da UFPel e chefe do Malg, Raquel Schwonke, acredita que a diversidade de ações é o fator diferencial para credenciar a idéia. “É um trabalho coletivo de parceria que movimentará diferentes setores artísticos e que tem tudo pra ficar entre os dez”, projetou.

De novembro a abril, além do concurso, as ações de interação com a comunidade se desenvolverão em diferentes eixos de atuação divididos em duas modalidades: permanentes: intervenções públicas através da representação gráfica em outdoors e fóruns. As ações periódicas encamparão o concurso, publicações, teatro, cinema e exposição.

Fóruns

A cada temática abordada, durante o mês de exposição das fotografias selecionadas no concurso, haverá um fórum temático aberto à comunidade, do qual participarão representantes dos segmentos sociais envolvidos com arte, patrimônio e turismo, propondo discutir as diferentes abordagens propostas nos fóruns: Patrimônio, Memória e Turismo; Patrimônio, Arte e Estética; Patrimônio Edificado, Gestão e Sustentabilidade; Conservação e Patrimônio; e Patrimônio Imaterial e Educação para o Patrimônio (temática infantil e infanto-juvenil).

Publicações

Como resultado das palestras abordadas, os “papers” (resumos) das temáticas a serem debatidas por cada palestrante comporão anais, que serão lançados no último mês de aplicação do projeto.

Dramaturgia

No que se refere à intervenção teatral, estão previstas três ações desenvolvidas em conjunto pelo Theatro Sete de Abril e o Grupo Teatro Escola de Pelotas (TEP): apresentação do espetáculo teatral de rua “Os Saltimbancos da Terra de Aghascar”, em locais históricos; encenações poéticas em prédios históricos, interagindo com as pessoas que por eles passam; e intervenções artísticas relacionadas com o patrimônio histórico, desenvolvidas nas fachadas superiores do Teatro Sete de Abril, com declamação de textos escritos por poetas pelotenses.

Cinema

O eixo do cinema propõe que a partir do material visual colhido e da abordagem temática geral do projeto (patrimônio, turismo, estética, conservação), seja elaborado um documentário em animação com duração de dois minutos e 30 segundos. O documentário será exibido em escolas e eventos da região, permitindo a disseminação e apropriação dos conceitos abordados.

Artes visuais

O projeto contemplará ainda exposição de obras criadas por dez artistas residentes em Pelotas, com significativas trajetórias. Esses artistas desenvolverão a obra (fotografias, quadros, ou outra) na forma poética mais representativa da sua trajetória, com ênfase em aspectos decorrentes da sua percepção do patrimônio cultural da região. As obras, desenvolvidas para integrar os espaços de exposição do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, serão adquiridas pela entidade através da concessão de um prêmio aquisição pelo qual o artista cede a obra para o acervo da instituição.

Patrimônio tombado

Conforme o projeto inscrito, os cinco bens serão retratados na ordem cronológica em que foram constituídos como patrimônio protegido pela união. A cada mês uma imagem estará estampada publicamente nas interpretações fotográficas. Ainda como forma de reconhecimento dos demais trabalhos concorrentes, a cada mês todas as fotografias participantes serão compiladas em até cinco banners, para exposição nas fachadas das sedes das entidades proponentes.

Os bens tombados pelo Iphan, desde 1955 até agora, sobre o qual fundamenta-se a proposta são: Obelisco Republicano (tombado em 1955); Teatro Sete de Abril (1972); conjunto das Casas da Praça Coronel Pedro Osório 2, 6 e 8 (1977); Caixa D’Água (1984); e mais recentemente o inventário do patrimônio imaterial dos Doces Tradicionais de Pelotas, em tramitação.

O concurso nacional

O Edital Arte e Patrimônio - 2007 é uma iniciativa do Ministério da Cultura, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Paço Imperial, com patrocínio da Petrobras e mediação do Fórum Permanente. A promoção inaugura uma linha de financiamento a projetos que estabeleçam diálogos entre as artes visuais contemporâneas e o patrimônio artístico e histórico nacional. Por um lado, trabalhos artísticos e processos estéticos atuais e, por outro, os acervos, as tradições, as culturas e os sítios que estabelecem a memória do País. Essa sugestão de interações múltiplas é um modo de celebrar os 70 anos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPhan.

O Edital contemplará duas categorias Acontecimentos/inter-relações – Serão selecionadas dez exposições ou eventos que traduzam em termos da produção contemporânea, valores e relações com o patrimônio cultural. O valor do incentivo para estes eventos será de R$ 100.000,00 por projeto.

Exposição de leitura histórica – Será selecionada uma exposição que envolva um panorama histórico das artes visuais e suas conexões com o patrimônio cultural. A premiação para esta exposição será de R$ 400.000,00.

Entidades parceiras do projeto em Pelotas

Os proponentes deste trabalho são a Prefeitura Municipal de Pelotas, através da Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer (STE) e da Secretaria de Cultura (Secult); e a Universidade Federal de Pelotas, através do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG) e do Curso Mestrado Acadêmico Multidisciplinar em Memória Social e Patrimônio Cultural. A coordenação do projeto fica por conta da Prefeitura Municipal.

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