Pelotas poderá ter memorial ao negro
A vinda a Pelotas nesta sexta-feira(28) do professor Zulu Araújo, da Fundação Palmares, dá continuidade ao projeto Resgatando as Origens, desenvolvido em parceria pela Universidade Federal de Pelotas e Prefeitura de Pelotas, através das secretarias de Educação, e de Projetos Especiais, que busca, desta vez, apoio para a instalação do Memorial ao Negro. O Museu Etnográfico da Colônia Maciel já é realidade desta parceira e estão em andamento as tratativas para implantação do Museu Francês e de publicação de livros direcionados aos alunos da rede pública, resgatando as etnias dos pelotenses conforme sua formação por bairros.
Segundo o pró-reitor de Extensão e Cultura da UFPel, Vítor Manzke, a idéia é instalar o monumento à etnia negra no prédio que abrigou a Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, na rua Lobo da Costa - em processo para obras de restauro. Ali já funciona o Chibarro, incubadora que reúne diversos grupos artísticos e de intervenção social. O local oferece espaço para ensaios, oficinas, exposições, reuniões e atividades administrativas.
Além de palestrar, Zulu Araújo aproveitou sua presença em Pelotas para colher subsídios e conhecer a realidade local sobre a participação do negro no processo de construção do município e a atuação dos movimentos culturais e sociais desta etnia. A coleta de dados servirá como base para a formatação de possível parceria com a Fundação Palmares visando à implantação do monumento. Apóiam a iniciativa, além da Prefeitura e UFPel, entidades sociais organizadas e organizações não governamentais.
Durante a breve palestra, sobre o movimento do negro atualmente no país, Zulu lembrou o esteriótipo, criado pelos outros estados, de que no Rio Grande do Sul só se encontram pessoas brancas com olhos azuis, tipicamente de descendência européia. “Conhecemos a Festa da Uva e a Kolonistenfest”, exemplificou ao lembrar a dificuldade de conhecimento sobre a presença dos afro-descendentes .
“Buscando as Origens - A Afro-descendência no município de Pelotas, evento que tem continuidade neste sábado, busca promover a igualdade racial pela valorização da história e da cultura dos africanos. É fruto de uma parceria entre a Prefeitura Municipal, UFPel e Clube Cultural Fica Ahí Pra Ir Dizendo, e reúne professores, estudiosos, Ongs, associações, escolas e o público em geral para debater o tema e resgatar a cultura negra.