Prefeitura divulga Campanha para reduzir a Morte Súbita
Pelotas lança campanha para redução do número de mortes súbitas nas crianças do município. A principal informação transmitida pela campanha é sobre a posição dos bebês na hora de dormir. Mediante pesquisa e investigação, foi constatado que a posição correta é dormir de barriga para cima e Pelotas é pioneira nacionalmente na divulgação desta campanha, já executada em países como Estados Unidos e Inglaterra, gerando resultados positivos. Houve uma queda considerável no coeficiente de morte súbita nesses países.
As informações foram relatadas pelo médico pesquisador do Centro de Pesquisas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), César Victora, em coletiva de imprensa ocorrida na manhã desta segunda-feira (29), na Secretaria Municipal de Saúde. Segundo Victora, que é doutor em epidemiologia, consultor do Unicef e da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem duas causas difíceis de resolver que aumentam o índice de mortalidade infantil: a prematuridade e a morte súbita.
A campanha lançada na última sexta-feira (26) na Feira do Livro e a coletiva desta manhã referem-se à segunda causa. O pesquisador alerta para o perigo da morte súbita, informando que em 2006 foram seis casos das 14 mortes pós-neonatais (crianças entre um mês e um ano de vida) e até setembro de 2007 foram quatro dos 17 óbitos pós-neonatais. “A morte súbita acontece, pois a criança ainda não possui o reflexo para perceber que está com falta de ar”, coloca. Outros fatores de risco para a morte súbita são o frio e a idade – geralmente ocorre em crianças com três a seis meses.
A campanha, dessa forma, é feita mediante conscientização das mães quanto à posição do bebe. Cartazes estão sendo distribuídos, para atingir maior número de pessoas. Victora diz que Pelotas é pioneira nessa campanha, visto que ele não conhece outra cidade no país, nem na América Latina, que desenvolva este trabalho. Os países desenvolvidos, todavia, executam essa campanha há cinco ou seis anos, percebendo considerável diminuição no número de mortes.
Victora acredita que prevenir os casos de morte súbita é crucial para a redução do coeficiente de mortalidade infantil. “De mil crianças que nascem, duas morrem por esta razão, e por mais que pareça pouco, dentro de uma campanha de redução dos índices isso é muito significativo”, destaca. O índice municipal de mortalidade infantil nos últimos quinze anos girava em torno de 20 mortes por mil nascidos vivos. Até 2005, ressalta, não houve redução. Somente a partir da parceria entre o Centro de Pesquisas e a Prefeitura é que a campanha passou a apresentar resultados efetivos, fazendo o índice cair para 15,5/mil em 2006. A meta para este ano é baixar para 13,5. Sendo a média nacional 25/mil nascidos vivos, Pelotas apresenta um índice menor que a metade da taxa do Brasil.
De acordo com Victora, este é o resultado de um trabalho de investigação, planejamento e ação. O grupo faz reuniões todos os meses e investiga cada morte de criança de 0 a 1 ano, com o objetivo de identificar as causas e trabalhar em cima da realidade local.
Prematuridade como a segunda principal causa
A outra causa grave para o aumento da mortalidade infantil apontada por César Victora é a prematuridade. Em Pelotas, 17% dos recém-nascidos são prematuros. O ideal, segundo Victora, é uma criança nascer com 39 a 40 semanas de gestação. Prematuros são aqueles que nascem com menos de 37 semanas. “Crianças que nascem com 34 a 36 semanas tem cinco vezes mais chance de morrer que aquelas que nascem com mais de 38 semanas”, conclui Victora.
Para evitar este problema, é imprescindível que as mulheres façam pré-natal no início da gestação e é interessante que se diminua o número de cesarianas executadas. O problema apontado pelo pesquisador é que existe muito erro na detecção da idade gestacional da criança e por isso o risco de realizar a cesariana.
As duas principais causas da prematuridade são as infecções da mãe (ginecológicas e urinárias) e a cesariana. Em Pelotas, 51% das gestantes fazem cesariana e este é um número excessivamente alto, segundo Victora. Quando o número de cesarianas é superior a 20%, aumenta o risco da mortalidade da mãe e da criança. De acordo com a OMS, o coeficiente máximo deve ser de 15% de cesarianas.