Senhoras do rap na Semana da Consciência Negra

Por Divulgação 16-11-2006 | 00:00:00
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A idéia partiu da coordenadora do Coral do Centro de Extensão em Atenção à Terceira Idade. Tomou corpo pela criatividade e disposição de um grupo de senhoras e agora vai inundar todos os cantos do Theatro Sete de Abril. As Senhoras do Rap vão dar uma lição de musicalidade, passando a sua mensagem através do rap da terceira idade, durante a programação da Semana da Consciência Negra desta sexta-feira (17).

As letras falam da luta contra o isolamento, da convivência entre idosos e jovens, de respeito e longevidade. Com bom humor e o apoio de rappers mais experientes no ramo, as senhoras se divertem e envolvem qualquer público que esteja à volta. “Quando canto e danço rap é o momento que me sinto mais eu”, diz a aposentada Nores Dutra da Rosa, 67 anos, 7 filhos,17 netos e 1 bisneto. A primeira letra foi criada para comemorar os 16 anos do projeto que integram, o Cetres. Depois desta, já compuseram o rap do basquete, para comemorar a criação de um grupo de basquete para a terceira idade.

“Nos divertimos com isso tudo”, afirma a integrante mais experiente, Sirlei da Silva Amaro, 70 anos, dois filhos e três netos. O apoio para entrar no ritmo veio do filho, o rapper Radox. Pesquisando nas letras compostas por ele, dona Sirlei entrou no espírito do rap e reconhece que agora se interessa mais por conhecer a fundo o objetivo da música. “Rap é protesto, mas não precisamos usar palavrões ou expressões agressivas”, garante. Seguindo o modelo e a gíria rap, dona Sirlei é a MC, a líder que canta a mensagem. As outras três amigas não são DJs, mas entram na dança sem o menor preconceito.

Sirlei conta que quando decidiram criar o segmento rap, dentro do Coral do CETRES, várias senhoras se entusiasmaram com a proposta. Mas na hora de ensaiar para as apresentações, muitas não conseguiram se adaptar ao ritmo da batida acelerada, em forma de discurso, com muita informação e pouca melodia. Quando estão cantando e dançando, não fazem malabarismo corporais, mas seguem o ritmo com muita vitalidade, alegria e entusiasmo. Compositora de músicas religiosas, dona Maria da Costa Gomes é a caçula. Aos 59 anos tem cinco filhos, dez netos e muito amor pela música. “Depois que entrei para o Cetres minha vida mudou. Música é tudo; me sinto realizada e feliz”, diz.

Mas entusiasmo é o sobrenome da dona Ezilda Rodrigues de Moraes. Aos 67 anos ela diz que dança até quando toca o Hino Nacional. “Quem gosta de música não tem preconceito com ritmos. Danço até funk, se vier”, complementa, com um largo sorriso nos lábios. Ela se juntou ao time recentemente e revelou que quando viu o ensaio pela primeira vez, não conseguiu ficar parada. Caiu no rap e agora comemora a alegria de viver na companhia das amigas.

As senhoras e outros nove grupos se apresentam no Theatro Sete de Abril, nesta sexta-feira(17), a partir das 21h, na noite do Hip Hop.

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