SQA mantém monitoramento preventivo da arborização em Pelotas
Trabalho é realizado durante todo o ano e intensificado em áreas de maior circulação; solo encharcado aumenta atenção para o risco de queda de árvores
A Prefeitura de Pelotas mantém, por meio da Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA), um trabalho permanente de avaliação, manejo e monitoramento da arborização urbana. As ações são realizadas durante todo o ano e ganham atenção especial diante da ocorrência de eventos climáticos adversos e do atual cenário de chuvas frequentes e solo saturado, condições que podem comprometer a estabilidade das árvores.
As equipes da SQA realizam vistorias técnicas em áreas públicas a partir de solicitações da população, órgãos públicos e instituições, além de manter um cronograma preventivo em locais considerados estratégicos. O acompanhamento inclui áreas verdes, grandes avenidas e corredores viários, praças, parques e outros espaços públicos com concentração significativa de árvores.
Segundo o secretário de Qualidade Ambiental, Márcio Souza, a secretaria busca realizar pelo menos uma avaliação anual nas principais áreas arborizadas da cidade. Em pontos de maior circulação, a frequência é ampliada.
“Na área central, por exemplo, fazemos essa avaliação de duas a três vezes por ano. É um processo que ampliamos desde janeiro de 2025 e que fez com que, nos últimos eventos climáticos com grande incidência de ventos, diminuísse bastante o número de árvores tombadas”, afirmou.
Durante as vistorias, os técnicos observam aspectos como o estado fitossanitário das árvores, presença de pragas e doenças, lesões e cavidades no tronco, comprometimento das raízes, inclinação, condições da copa e existência de galhos secos ou comprometidos. Conforme o secretário, também é realizada uma avaliação por meio de impacto no tronco para auxiliar na identificação de possíveis cavidades ou sinais de degradação interna.
Solo encharcado exige atenção
O cenário atual acrescenta um fator de risco. De acordo com as avaliações técnicas da SQA, a saturação do solo provocada pelas chuvas intensas pode reduzir sua aeração e provocar asfixia radicular, comprometendo a estabilidade das árvores. A combinação dessas condições com ventos intensos pode contribuir para o tombamento.
“Estamos tendo chuvas praticamente diárias há cerca de 20 dias. Quando o solo fica muito encharcado, a árvore se desestabiliza mais facilmente, mesmo com ventos não tão potentes. Onde encontramos raízes mais aparentes e sinais de afastamento do solo, já estamos monitorando essas árvores”, explica Souza.
O secretário ressalta ainda que Pelotas possui lençol freático alto, o que, associado à sequência de chuvas e à saturação do solo, aumenta a necessidade de atenção. Mesmo árvores com raízes preservadas podem perder estabilidade nessas condições, especialmente exemplares com copas maiores.
Cerca de 120 chamados após o ciclone
No evento climático registrado na noite de 6 de agosto, o Setor de Ações Ambientais da SQA iniciou ainda naquela noite o atendimento emergencial de ocorrências relacionadas à queda de árvores e à obstrução de vias públicas.
Segundo o secretário, entre a noite de quinta-feira (6) e o meio-dia de sexta-feira (7) foram recebidos cerca de 70 chamados. Ao longo da semana, o número ultrapassou 120. Os atendimentos resultaram em aproximadamente 70 supressões, além de podas e atendimento a árvores que tombaram.
As avaliações realizadas durante e após o evento identificaram ainda que parte significativa dos exemplares atingidos apresentava histórico de intervenções inadequadas, como podas drásticas, cortes ou danos ao sistema radicular.
SQA alerta para corte de raízes
Um dos principais alertas da secretaria é para intervenções realizadas nas raízes das árvores. Segundo Souza, aproximadamente oito em cada dez casos analisados entre árvores tombadas e exemplares que precisaram ser suprimidos após o último evento apresentavam cortes nas raízes.
“As pessoas, muitas vezes para fazer um piso ou uma calçada, cortam as raízes quando elas ficam mais aparentes. Em oito de cada dez casos, encontramos essa característica. Ao cortar as raízes, diminui-se a sustentação da árvore. As duas árvores que atingiram casas tinham parte das raízes cortadas ou suprimidas”, alertou o secretário.
Diante da situação, a SQA prepara uma campanha de orientação à população sobre os riscos do corte de raízes. A recomendação ganha ainda mais importância durante períodos prolongados de chuva, quando o solo saturado já reduz naturalmente a estabilidade dos exemplares.
Após o ciclone a Prefeitura atendeu mais de 120 chamados por queda de árvores nas vias públicas. Fotos: Volmer Perez
Árvores próximas à rede elétrica
A SQA também orienta a população a não tocar em árvores ou galhos que estejam em contato com a rede elétrica. Nesses casos, a primeira providência deve ser acionar a CEEE Equatorial, responsável pela intervenção inicial na rede.
A secretaria não realiza manejo em árvores que estejam tocando a fiação enquanto houver possibilidade de energização. Quando uma poda ou supressão realizada pela SQA envolve galhos em contato com a rede, a concessionária é acionada para o desligamento da energia antes da execução do serviço.
Como solicitar avaliação
Em áreas públicas, como calçadas, meio-fio, canteiros centrais e demais espaços públicos, as podas e supressões necessárias são realizadas pelo Município. Em propriedades particulares, a execução é de responsabilidade do proprietário, mas a intervenção também depende dos procedimentos de licenciamento ambiental.
As solicitações devem ser registradas pelo Sistema de Licenciamento Ambiental (Sislam), disponível no site da Prefeitura. Quem tiver dificuldade para realizar o procedimento pode procurar diretamente a SQA para receber orientação.
O trabalho de monitoramento busca antecipar situações de risco sempre que tecnicamente possível. A própria avaliação técnica ressalta, entretanto, que não existe condição de risco zero: chuvas intensas, ventos fortes, saturação do solo, erosão e outras alterações podem modificar a estabilidade de uma árvore mesmo quando ela apresenta boas condições fitossanitárias.