Violência e criminalidade juvenil em debate
Judiciário, comunidade e a rede de assistência social do município discutiram na tarde desta sexta-feira a realidade dos jovens infratores na região de Pelotas. Do encontro, resultou a elaboração de uma carta contendo as principais questões que precisam ser resolvidas pela rede de assistência e pelos municípios que ainda não municipalizaram o atendimento às medidas sócio-educativas.
Questões como a priorização da assistência às crianças e aos adolescentes, ações de fortalecimento das relações familiares, melhora na segurança das equipes de trabalho e dos jovens enquanto estiverem cumprindo medidas de prestação de serviço são alguns do itens que devem integrar o documento. De acordo com a secretária municipal de Cidadania, Diosma Nunes, o trabalho social é árduo e enfrenta obstáculos diários que só são superados graças ao envolvimento das equipes que atuam nos diversos programas da secretaria. “O ideal é que não tivéssemos adolescentes em conflito com a lei. Para isto precisamos do apoio das famílias. Cada grupo familiar precisa ser responsável pelos próprios filhos.”, afirma.
Para a juíza da infância e juventude, Maria do Carmo Amaral Braga, é preciso agir. “Além das instituições que acompanham os jovens infratores e do poder judiciário, o atendimento da comunidade religiosa tem sido essencial para o processo de reeducação. Já temos muitos parceiros, mas fica nosso clamor por mais ajuda da sociedade.” A justiça também promete cobrar dos municípios da região agilidade na municipalização do atendimentos dos adolescentes infratores. Durante o evento foram apresentadas as realidades dos internos da Case- Centro de Assistência Sócio-educativa e também a rotina dos jovens assistidos pelo Programa de execução de medidas sócio-educativas em meio aberto de liberdade assistida e prestação de serviço à comunidade de Pelotas. De acordo com a coordenadora, Sílvia Helena Chaigar, não se trabalha o ato infracional em si e sim trata-se das pessoas. O objetivo é mostrar aos adolescentes que existem opções à criminalidade.
Nova reunião deverá ser realizada dentro de um prazo de 12 meses, para que o atendimento das solicitações remetidas aos órgãos governamentais na Carta da Audiência Pública de Pelotas seja avaliado. Para o promotor da infância e juventude, José Olavo Passos, o evento serviu para promover a reflexão sobre o assunto e estimular a cobrança para a melhoria das estruturas públicas no atendimento aos jovens e adolescentes. Compromisso de última hora impediu o comparecimento do prefeito Fetter Junior ao evento.