Em Pelotas, 29 mil alunos são vinculados à rede municipal de ensino; ganhador de menção honrosa na Olimpíada Brasileira de Matemática é um dos bons exemplos do Município

Dia dos Estudantes: esforço de alunos, pais e professores reflete em conquistas

Em Pelotas, 29 mil alunos são vinculados à rede municipal de ensino; ganhador de menção honrosa na Olimpíada Brasileira de Matemática é um dos bons exemplos do Município

Por Autor desconhecido 16-11-2018 | 17:57:26
Tags: dia dos estudantes , obmep , olimpíada , matemática , menção honrosa

No Dicionário Aurélio, estudante é aquele que estuda e frequenta qualquer estabelecimento de ensino. Mas na prática, o conceito vai além. A rotina diária de aprendizados e assimilação de conteúdos exige dedicação, esforço e, até mesmo, renunciar momentos de lazer e diversão para dar prioridade ao ensino. Neste sábado (17), o mundo todo celebra o Dia dos Estudantes, comemorado há 77 anos em nível internacional.  

Em Pelotas, 28.972 crianças, jovens e adultos ocupam as salas de aula da rede municipal – 22.297 na área urbana, 2.853 na zona rural e 3.822 nas escolas de educação infantil – e histórias não faltam para comprovar que a busca por conhecimentos reflete em importantes conquistas pessoais e profissionais.

Marcelo Gonçalves, 14 anos, é um dos bons exemplos do Município que aposta na educação para impulsionar seus sonhos para o futuro. O estudante do oitavo ano da escola João da Silva Silveira, em Monte Bonito (9º distrito), é um dos 13 alunos que conquistaram menções honrosas pelo desempenho satisfatório na 13ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), em 2017.  

Trabalho em equipe

Na premiação, em setembro, na cidade de Rio Grande, o adolescente subiu sozinho ao palco para buscar o seu certificado; mas na trajetória que o levou até ali, contou com a dedicação e apoio de uma rede de incentivo formada pela família e pela escola. Esta última representada pela figura do professor Luiz Carlos Lemos Junior, grande estimulador e parceiro no percurso que levou o aluno até a conquista.

Ele é incansável. O que faz pelos alunos é fantástico. Além do trabalho em sala de aula, leva eles para passear e, durante o caminho, aproveita para ensinar matemática”, explicou a mãe de Marcelo, Tatiane Nunes do Amaral.
Foto: Gustavo Mansur

A enfermeira é outra grande responsável pelo sucesso do filho. Mesmo trabalhando em outra cidade, se desdobra para acompanhar de perto a rotina escolar, estudar junto, conferir os cadernos e, claro, reforçar a importância disso para o seu futuro.

Apesar do tempo corrido, percebo que quando consigo estar perto, o rendimento é melhor. As pessoas costumam rotular o ensino público, como se ele fosse ruim. Acredito que quem faz a escola é o aluno e, acima de tudo, ele juntamente à família”, reforçou a mãe.

Tatiane acrescenta que, mesmo tendo condições financeiras para custear uma instituição privada, não vê motivos para isso, já que considera que a escola onde Marcelo estuda exerce papel fundamental para o seu êxito. Mais do que isso, a Emef enalteceu a premiação no feriado Farroupilha, em setembro – momento em que o estudante desfilou em carro aberto, sendo reconhecido por todos.  

Preparação

O bom desempenho na Obmep 2017 também rendeu a oportunidade do adolescente participar do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) – de maio a setembro deste ano. O curso, segundo Marcelo, foi decisivo para seu aprendizado e, também, para seu desempenho na 14ª Obmep, em 2018. O professor Junior, que também ministrou as aulas do PIC, destacou o perfil esforçado do estudante e ressaltou que esteve à disposição neste período de intensificação dos estudos.

Mostro todos os exemplos possíveis, tento explicar de outra forma quando ele não entende; levo eles no meu carro para fazer a prova e faço o que estiver ao meu alcance para dar esse suporte. Quando vi que o Marcelo tinha ganhado, fiquei muito feliz porque também é um reconhecimento do meu trabalho”, declarou o professor.  
Professor (centro da foto) acompanhou os alunos na entrega das menções honrosas, em setembro. Foto: Divulgação

Como no ano passado, o jovem foi um dos 214 alunos da rede municipal a se classificar para a prova da segunda etapa. Desta vez, indo em busca da primeira medalha; o resultado será conhecido dia 21 de novembro. A participação no curso exigiu ainda mais dedicação e esforço, já que o estudo mantinha uma rotina intensa de tarefas. Ao ser questionado sobre como faz para superar os desafios e conciliar as atividades, Marcelo é efusivo:

É preciso persistir sempre. Eu já pensei em desistir algumas vezes, mas nesse processo aprendi coisas que vou levar para o resto da vida e, no fim, tudo valeu a pena”, afirmou.

Juntos pelo mesmo propósito

A preparação para as provas mobilizou toda a família pelo mesmo propósito. “Todo mundo lá em casa foi estudar matemática por causa do Marcelo. Foram noites e noites de aprendizado”, lembrou Tatiane. A sede por conhecimento também conta com o reforço do vô materno que, desde a infância do neto, o incentivava a ler e resolver cálculos matemáticos. A mãe do jovem conta que o ambiente em casa também foi decisivo para o resultado final.

Foto: Gustavo Mansur 
Em casa, trocamos a televisão pelos livros. Só o Marcelo já leu mais de 50… Acreditamos que a única coisa capaz de melhorar o país é a educação. Essa é a herança que queremos deixar pra ele: a consciência de cidadania, a postura social diante do mundo e a importância dos valores éticos e morais”, salientou. 

Além da afinidade com os números, o menino também adora desenhar e é presente nas tarefas de casa. “Ele também passa a limpo todo o conteúdo que escreve em aula; isso desde o primeiro ano da escola. É um dos nossos acordos que ele reclama um pouquinho, mas, no fundo, sabe que é para o bem dele”, brincou Tatiane.  

Futuro da matemática

O professor de matemática afirmou seu desejo em proporcionar um curso, para os alunos da rede municipal, que seja preparatório para esta Olimpíada e as demais provas que estimulam o aprendizado. De acordo com ele, esta seria a ferramenta necessária para trazer resultados ainda mais positivos para Pelotas – ainda sem medalhas de ouro na competição. Junior apontou o apoio da supervisora de ensino da Secretaria de Educação e Desporto, Liliana Muller, e do professor Jean Moraes, da UFRGS - que possibilitou o curso e a liberação da bolsa para Marcelo -, como fundamentais nesta trajetória.

A prova

É uma realização da Associação Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada, com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática. A avaliação é dirigida aos alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e aos do ensino médio, de escolas municipais, estaduais, federais e privadas, bem como aos respectivos professores, escolas e secretarias de educação. Dos 18 milhões de estudantes inscritos em 2017, 941 mil foram classificados para a segunda fase da competição.

Alt+1 (conteúdo) • Alt+2 (menu)
Alt+3 (busca) • Alt+4 (rodapé)