José de Abreu retorna à cidade e ao Sete de Abril
Em menos de 30 dias, o terceiro espetáculo de circuito nacional: depois do músico Xangai e da comédia de Ary Fontoura, o Theatro Sete de Abril abre suas portas para receber uma ilustre personalidade brasileira bastante conhecida dos pelotenses. O ator José de Abreu, cidadão pelotense, retorna a cidade com o espetáculo Fala Zé, nos próximos dias 20 e 21, às 21h, no Sete de Abril. Os ingressos a preços populares estarão disponíveis a partir desta quarta (17), na bilheteria do teatro com os seguintes valores: R$ 20,00 platéia; R$ 15,00 camarotes; R$ 10,00 galerias e laterais.
Mas, os fãs de Abreu e de seu trabalho, que não quiserem esperar até sábado e domingo, podem se antecipar e conhecer um pouco de sua trajetória de vida e profissional, através da nova exposição do Memorial do Theatro Sete de Abril, Preservar e Divulgar, que além de fazer uma alusão ao Dia Internacional dos Museus, também presta uma homenagem ao ator com a exposição José de Abreu, aberta nesta segunda-feira (15). O Memorial fica na rua 15 de Novembro, 560A e funciona das 13h às 18h30min, com entrada franca. A exposição perdura até o dia 16 de junho.
Fala, Zé!
Para comemorar seus 60 anos de idade, 40 de teatro e cinema, 26 de TV Globo e 30 da turnê gaúcha da peça Salamanca do Jarau, o ator José de Abreu retorna aos pagos para apresentar o espetáculo Fala, Zé!. Num verdadeiro show de teatro, são visitados diferentes momentos da história brasileira e mundial desde a década de 70 até a atualidade. Ao considerar uma perspectiva política e musical, com um certo toque intimista e debochado, o ator descreve trechos de sua autobiografia e reedita a dobradinha com o diretor gaúcho Luiz Arthur Nunes.
De autoria do também gaúcho Angel Palomero e de Walter Daguerre, a produção confere um tom leve e brincalhão às cenas em que presta homenagem ao público. Irreverente, Abreu sobe ao palco para interpretar os diversos Zés e a ele próprio. "O Zé não sou necessariamente eu. Ele pode ser qualquer um e ao mesmo tempo é um pouco de cada um de nós, do que somos e do que poderemos ser", explica o ator.
A peça é um verdadeiro show de teatro porque mistura elementos da comédia, dança, canto e música. Por meio de recursos audiovisuais, o artista conversa com a platéia muito bem acompanhado de personalidades que fazem parte de sua trajetória de vida e profissional e que hoje estão na mídia brasileira. Abreu faz a platéia interagir em suas histórias - colhidas de depoimentos ou fruto de improviso- vividas nos movimentos de esquerda .
Nessa comédia histórica e improvisada, o ator diz serem três os momentos que mais o comovem: "o dia em que minha mãe foi me visitar no Carandiru em novembro de 1968. Lembro até hoje o rosto dela. O dia em que Getúlio Vargas morreu foi feriado na escola e um ano depois meu pai morreu, daí foi feriado só para mim. Também me emociono quando digo: não era apenas o resultado de uma eleição, quando subíamos aquela rampa".
O time é formado ainda por mais dois gaúchos: a figurinista Coca Serpa e o caxiense Fábio Passos na projeção de vídeos. A equipe completa-se com o diretor musical David Tygel, o cenógrafo Carlos Alberto Nunes e o iluminador Paulo César Medeiros. Nara Keiserman ficou com a preparação corporal e David Tygel com a vocal e o próprio José de Abreu fez a produção. O espetáculo é promoção do SESC em 25 cidades do Rio Grande do Sul, patrocínio eletrobrás e Habitasul , realização no estado é da Soma Produções Culturais.
O ator
José de Abreu iniciou sua carreira em 1966 no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca), um centro de resistência à ditadura militar. O Tuca produziu, entre os sucessos da época, Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto, com músicas de Chico Buarque. Estudante de Direito, José de Abreu foi escolhido delegado para o 29º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Seu plano era voltar após o evento para fazer a peça, mas a polícia invadiu o local do congresso em São Paulo e 700 estudantes foram presos. Solto às vésperas do Ato Institucional nº 5 (AI5), foi para o Rio de Janeiro onde prestou apoio logístico para a organização política clandestina VAR-Palmares, que participou da luta armada contra o regime. Em 1972 foi para a Inglaterra, permanecendo na Europa até 1973. Ao voltar escolheu morar no Rio Grande do Sul onde reiniciou sua carreira artística. Em 1978, protagonizou o filme “A Intrusa”, de Carlos Ugo Christensen, obtendo o prêmio de melhor ator no Festival de Gramado de 1980. Desde então as portas do novo mundo se abriram para o ator que se mudou para o Rio de Janeiro.