Projeto busca inventário de referência cultural

Por Divulgação 04-07-2006 | 00:00:00
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A Unesco define como Patrimônio Cultural Imaterial às práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas. Além de instrumentos, objetos, artefatos e lugares que lhes são associados e as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos que se reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural. Por entender, também desta forma, a Secretaria Municipal de Cultura (Secult), em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), busca através do projeto Inventário de Referência Cultural – Produção de Doces Tradicionais Pelotenses, a identificação e documentação dos saberes relacionados à arte doceira no passado e no presente.

A arquiteta e membro da diretoria da Memória e Patrimônio Cultural da Secult, Paulina von Laer, explica que o projeto formatado pela secretaria está orçado em R$ 78,6 mil, destes, 80% será financiado pelo Programa Monumenta, através da Unesco, e 20% pela CDL. O trabalho será executado pela Fundação Simon Bolivar, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e por uma equipe de historiadores e antropólogos.

Os doces pelotenses são reconhecidos nacionalmente por suas características singulares. Seus sabores, formas, ingredientes e modo de fazer são a materialização de uma tradição cultural que remonta à colonização portuguesa e é transmitida de geração em geração. O inventário do doce pelotense não se resume só em doces de confeitaria, também integram o projeto doces em pasta, em calda e os cristalizados.

Conforme a diretora, além de consistir uma atividade importante, a arte doceira guarda em si significados ligados à configuração social do município, a memória da imigração e a influência da produção negra neste contexto. A compreensão desses múltiplos significados possibilita manter a tradição doceira viva, além de agregar valor a um produto já consagrado.

Entre os objetivos imediatos, o projeto prevê o reconhecimento da arte doceira como bem cultural, o incremento ao turismo e a definição de estratégias de apoio às associações de doceiras. A médio e em longo prazo o inventário busca a criação de um selo de identificação do produto como bem cultural, além da implantação do Museu do Doce.

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