Restauração: Chega a vez do Mercado Central
Dentro do processo de restauração de prédios e patrimônios históricos pelo qual passa o centro histórico da cidade, depois do Paço Municipal e Praça Coronel Pedro Osório, a movimentação dos operários com os trabalhos de recuperação de espaços e pintura chega até o Mercado Central. Às obras de recuperação do telhado da peixaria, soma-se agora a restauração de toda a parte externa daquele centenário prédio histórico.
Pintura
As intervenções que começaram ontem (07) a cargo da MGM Empresa Construtora Ltda, na parte externa, pelo lado da rua Lobo da Costa, vão preparar as fachadas e pilastras, preservando todos os detalhes das características originais da construção, para o novo revestimento. Nesta etapa inicial, o trabalho está concentrado na remoção da pintura antiga e lavagem, para posteriormente a aplicação da nova pintura que será feita com tinta acrílica látex, possivelmente em tons derivados da cor atual.
De acordo com o coordenador de Feiras e Mercado da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SSU), Paulo César Gonçalves, a previsão é de que a obra da parte externa esteja concluída em 120 dias. O coordenador ainda revela todo o seu otimismo quanto ao atual momento do Mercado: “Esses reparos são fundamentais, esse importante patrimônio histórico passa a ganhar um novo ânimo, uma nova cara, principalmente para o setor turístico” define Gonçalves, pedindo a compreensão e colaboração aos locatários para que respeitem os espaços locados, a fim de preservar a harmonia geral dentro e fora do prédio, bem como a sua apresentação.
Telhado
Já o espaço destinado às peixarias, está interditado desde do último dia 13, quando tiveram início as intervenções que estão sendo executadas pela empresa Gigante Schimidt, de Pelotas, e que vão garantir a recuperação de todo o madeiramento, forro e telhado daquele setor. Com previsão de conclusão em 60 dias, os trabalhos seguem em ritmo acelerado.
A expectativa do Departamento de Feiras da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos é de que a obra esteja totalmente concluída até da Semana Santa, quando o movimento é intenso com a procura de frutos do mar, exigindo, assim, uma estrutura adequada para comerciantes e clientes.
Para o presidente da Associação dos Locatários do Mercado Central (Alompel), Édson Luis Planela, as intervenções, principalmente na parte da peixaria, que conta com cinco comércio em oito bancas, se fazia necessária e urgente, já que a estrutura oferecia risco iminente aos comerciantes, clientes e centenas de transeuntes que circulam por aquele local. “É o início de um processo de revitalização que recupera a auto-estima dos comerciantes e garante uma estrutura com instalações adequadas e seguras para todos que usufruem deste importante patrimônio”, destaca Planela.
O valor da obra, que está orçada em R$ 25 mil, a exemplo da pintura, também será utilizado como contrapartida do município ao Programa Monumenta a quem caberá a realização de reparos na parte de pisos, telhado, esquadrias e interior. Os recursos oriundos para esta obra provêm do Fundo do Mercado, que é formado pelo recolhimento dos aluguéis, e somente pode ser utilizada para benefícios no próprio prédio.
Durante o período de reformas, as peixarias ficarão instaladas nas lojas que estão desocupadas no interior do Mercado Central. Três foram deslocadas para a parte externa do mercado da esquina da rua Andrade Neves em direção à 15 de Novembro.
Após as obras, os comerciantes que optarem pela colocação de toldos na
parte externa deverão se adequar ao padrão, cor e tamanhos. O modelo esta à disposição dos interessados na SSU.
Histórico
Construído em 1847, foi elaborado o projeto, mas a Câmara Municipal não conseguiu recursos para sua construção. Em 1849, Roberto Offer apresentou à Câmara um outro projeto, considerado de valor exorbitante, mas de boa qualidade. Consistia num prédio quadrado, de pátio central, com acesso pelas esquinas. A construção foi destinada às lojas, o pátio ao comércio informal e o centro à primitiva torre do relógio, de material, com abóbada e sotéia (mirante).
No período de 1911-1914, o Mercado sofreu uma reformulação profunda em termos de plantas e fachadas, obras dirigidas pelo engenheiro Manoel Itaqui; nesta fase o prédio recebe, além de mudanças de acessos, a torre do relógio e o farol de ferro, importados de Hamburgo, na Alemanha, fazendo uma alusão a Torre Eiffel. Do farol emergia luz de uma poderosa luminária rotativa, que espargia raios para todos os quadrantes. Vista de longe, identificou a cidade por muitos anos. Contam moradores da Cascata e Três Cerros que, à noite, era possível ver o famoso farol do Mercado.
Na planta anterior os acessos eram apenas pelas esquinas em chanfro coroados por um frontão triangular. Já na planta de 1914 o partido e a volumetria modificaram-se, tornando os acessos centralizados nas fachadas e torreões nas esquinas, com suas circulações internas em cruz, com um arcabouço central apoiado em 74 colunas de ferro, com tesouras ligadas por vigorosas vigas de ferro abertas em ogivas e com vitrais nas ogivas laterais. O primeiro prédio é de linhas simples apresentando um ritmo de cheios e vazios marcados pelas vergas em arco pleno no vão das portas. No seguinte, os torreões recebem na platibanda ornamentos com guirlandas de flores e frutas em relevo, em estilo Art-Nouveau. Possui 120 lojas dos mais variados tipos. O relógio e o sino existem até hoje. Atualmente, continua exercendo a sua função abastecendo a cidade com seus diferentes tipos de produtos.